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Auto aceitação

Muitas pessoas confundem preconceito e discriminação. Preconceito é ter uma avaliação, ou um conceito, sobre alguém ou algo antes mesmo de conhecê-lo bem. Já a discriminação é o ato de segregar alguém por algo ou alguma coisa que difere de suas características ou princípios.

Por exemplo, quando você conhece alguém, naturalmente faz um pré-julgamento a partir de suas roupas, de seu jeito de falar, do carro, etc. Isto é preconceito. Após alguns dias de convivência, parte daquilo que você pensava, certamente mudará. Quando você se recusa a sentar-se ao lado de uma mulher, de um pobre, de um negro ou de um homossexual, isto é discriminação.

Porém, há uma variante destes sentimentos que é muito danosa: a discriminação contra si mesmo, ou seja, a dificuldade da auto aceitação.

A Bíblia não tem nenhum mandamento para o amor próprio. Aliás, Jesus nos ordena que amemos uns aos outros assim como Ele nos ama:

“Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; como Eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis.” João 13.34

Antes disso, Jesus nos convida para um relacionamento de amor com Ele. A nossa alegria deve ser encontrada nEle e não em nós mesmos. A ênfase está na comunhão, na frutificação e na prontidão para ser rejeitado pelo mundo. A identificação do cristão está em Jesus ao ponto de sofrer e segui-lO até a cruz.

O foco do amor na Bíblia é para cima e para fora ao invés de ser para dentro. O amor é tanto uma atitude como uma ação de uma pessoa para com a outra.

O apóstolo Paulo nos dá um sábio conselho a respeito da auto-reflexão:

“Porque pela graça que me foi dada, digo a cada um dentre vós que não pense de si mesmo além do que convém; antes pense com moderação, segundo a medida da fé que Deus repartiu a cada um.” Romanos 12.3

Ou seja, até mesmo para pensarmos em nós mesmo, precisamos ser ponderados. Naturalmente, nós nos supervalorizamos, o que é meio caminho para o orgulho, o egocentrismo e o desprezo aos outros.

 

Mas e aquelas pessoas que sofrem de doenças que as alteram fisicamente, ou um acidente que lesiona ou retira partes do corpo?

Certa vez Jesus estava caminhando e viu um homem cego de nascença. Então, os Seus discípulos perguntaram:

“Rabi, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego? Jesus respondeu: Nem ele pecou nem seus pais; mas foi assim para que se manifestem nele as obras de Deus.” João 9.2,3

Tudo o que acontece com o cristão tem um propósito. Muitas vezes, não entendemos naquele momento, mas posteriormente fica claro o que Deus havia planejado para nós.

Um acidente, um incidente, uma cirurgia, uma deficiência física, uma decepção amorosa, uma dispensa profissional… tudo isto nos ajuda a sermos mais humildes, menos arrogantes, darmos valores a coisas ou pessoas que desprezávamos… enfim, nos transforma em cristãos melhores.

Porém, não podemos nos esquecer que os padrões de vida cristãos diferem dos padrões mundanos. Por isso, esteja pronto para a rejeição, para a discriminação e para a acusação.

Portanto, para combater a discriminação contra nós mesmos, ou seja, para combater a dificuldade da auto aceitação, é necessário que enchamos o nosso coração de amor. Quando amarmos a Deus e ao próximo de todo o nosso coração, não teremos dificuldades em lidar com a rejeição ou com a incriminação.

Temos que sempre lembrar que mesmo Jesus sendo rejeitado e massacrado física e psicologicamente pelo povo, Ele se entregou por amor! Poderia ter desaparecido, poderia ter ordenado aos Seus anjos que aniquilassem a todos, poderia ter sumido num piscar de olhos… mas Se entregou, por amor a mim e a você!

 

Fonte: http://www.chamada.com.br/mensagens/auto-estima.html

13/05 – Dia Nacional de Luta contra o Racismo

Mesmo depois de 36 anos, pouca coisa mudou!

“Dessarte, não pode haver judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus.” Gálatas 3.28


RACISMO (14/5/75)
Luis Fernando Verissimo

– Escuta aqui, ó criolo…

– O que foi?

– Você andou dizendo por aí que no Brasil existe racismo.

– E não existe?

– Isso é negrice sua. E eu que sempre te considerei um negro de alma branca… É, não adianta. Negro quando não faz na entrada…

– Mas aqui existe racismo.

– Existe nada. Vocês têm toda a liberdade, têm tudo o que gostam. Têm carnaval, têm futebol, têm melancia… E emprego é o que não falta. Lá em casa, por exemplo, estão precisando de empregada. Pra ser lixeiro, pra abrir buraco, ninguém se habilita. Agora, pra uma cachacinha e um baile estão sempre prontos. Raça de safados! E ainda se queixam!

– Eu insisto, aqui tem racismo.

– Então prova, Beiçola. Prova. Eu alguma vez te virei a cara? Naquela vez que te encontrei conversando com a minha irmã, não te pedi com toda a educação que não aparecesse mais na nossa rua? Hein, tição? Quem apanhou de toda a família foi a minha irmã. Vais dizer que nós temos preconceito contra branco?

– Não, mas…

– Eu expliquei lá em casa que você não fez por mal, que não tinha confundido a menina com alguma empregadoza de cabelo ruim, não, que foi só um engano porque negro é burro mesmo. Fui teu amigão. Isso é racismo?

– Eu sei, mas…

– Onde é que está o racismo, então? Fala, Macaco.

– É que outro dia eu quis entrar de sócio num clube e não me deixaram.

– Bom, mas pera um pouquinho. Aí também já é demais. Vocês não têm clubes de vocês? Vão querer entrar nos nossos também? Pera um pouquinho.

– Mas isso é racismo.

– Racismo coisa nenhuma! Racismo é quando a gente faz diferença entre as pessoas por causa da cor da pele, como nos Estados Unidos. É uma coisa completamente diferente. Nós estamos falando do crioléu começar a freqüentar clube de branco, assim sem mais nem menos. Nadar na mesma piscina e tudo.

– Sim, mas…

– Não senhor. Eu, por acaso, quero entrar nos clubes de vocês? Deus me livre.

– Pois é, mas…

– Não, tem paciência. Eu não faço diferença entre negro e branco, pra mim é tudo igual. Agora, eles lá e eu aqui. Quer dizer, há um limite.

– Pois então. O …

– Você precisa aprender qual é o seu lugar, só isso.

– Mas…

– E digo mais. É por isso que não existe racismo no Brasil. Porque aqui o negro conhece o lugar dele.

– É, mas…

– E enquanto o negro conhecer o lugar dele, nunca vai haver racismo no Brasil. Está entendendo? Nunca. Aqui existe o diálogo.

– Sim, mas…

– E agora chega, você está ficando impertinente. Bate um samba aí que é isso que tu faz bem.

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